Thursday, November 27, 2008

Portugal em câmara lenta

Sabia que se um cidadão português, a residir no Reino Unido, precisar de renovar o seu passaporte hoje, por hipótese, no consulado de Portugal em Manchester, só poderá ser atendido a meados de Janeiro e sujeito a marcação prévia, ainda a agendar? E isto depois de se dirigir ao consulado por mail, ou via postal, a solicitar a pretensão.
Desconfio que no tempo do Eça de Queirós a coisa não deveria ficar por mais tempo. É obra, não é?
Eça agora!

Saturday, November 22, 2008

1ª mão

Vem aí o livro “Sarapicos de Natal”! Uma antologia de contos de Natal doce e com travo a canela, para contar à lareira…Editora Papiro.

Com capa da autoria de Manuel Barroca, Sarapicos de Natal conta com a participação dos autores José Amaral, Benedita Stingl, Zina Abreu, Adélia Gamboa, Lena Leote, entre muitos outros…

Contamos consigo!

Apresentação : 13/12/08, às 17h

Centro Comercial Dolce Vita - Porto, zona de descanso piso 3


Pensamento do mês

Vive uma hora de cada vez...

Thursday, November 13, 2008

Amor a quanto obrigas!

Cinema Internacional a Concurso. Onde? Cannes Atlântida. Quando? Now! Porquê? Porque gosto. Adoro cinema. Die Eisbombe foi o filme que vi ontem e conta-se em três tempos. Os excessos são perigosos e até podem matar! Foi o que aconteceu à personagem mais radical da família Schuhmann-Wiels. Morreu, oh ironia do destino! por causa da sua mania de ser saudável à força! Morreu cheia de saúde! E a plateia riu…Somos todos sádicos? Não! É que o ridículo também mata e foi o caso….
Mas o excesso de amor também mata. E matou a relação entre mãe e filho. Quando uma mãe quer controlar tudo até sufocar o próximo o resultado só pode ser a ruptura. Não é? Ou então a submissão. Não é? Há gostos para tudo. No caso desta família o filho mais velho, adolescente (abençoada rebeldia!) deu o pontapé de saída e, a partir daí, a família toda mudou. Para melhor, certamente, menos para a “má da fita”, de quem a providência divina se encarregou. Resultado? A liberdade para todos …
No meio da história o insólito acontece e, de repente, algo atinge o telhado da família, expondo assim a sua vida. O que foi? Um satélite desgovernado? Um bloco de gelo vindo do espaço? Um ataque bombista? Um míssil americano? Iraniano? Só vendo para acreditar. E esta, hein?

Bye

Sunday, November 9, 2008

Mundo encerra para balanço

Filme em ante-estreia - Funchal, 08/11/08

Blindness, ou Ensaio sobre a cegueira, é o novo filme de Fernando Meirelles que adoptou a obra homónima de José Saramago.

De que trata a dita?

Para mim a obra é uma grande metáfora do estado do mundo actual, um mundo desolador que não tem ponta por onde pegar. Então, para que o mundo melhore, deve encerrar para balanço porque só assim é possível começar de novo. Foi isso o que aconteceu durante o filme, quando uma cegueira branca atingiu uma cidade, provocando-lhe o caos.

Como em todo o caos as questões prioritárias que afectam as pessoas e pelas quais elas mais se guerreiam são: comida e sexo. Os humanos querem comida e sexo porque isso faz parte do pacote básico de sobrevivência da espécie e ali não é excepção.

Em certo sentido Blindness faz lembrar o que aconteceu quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleães, em 2005, e quando o cataclismo se instalou através de pilhagens, violações, e outras formas de crime, etc. De tal modo a catástrofe se evidenciou que até a polícia fugiu e abandonou os seus postos porque ou era ela que ganhava (os bons), ou eram os bandos de criminosos. Ganharam estes, pelo menos durante bastante tempo… até que a América acordasse do choque e fosse capaz de socorrer os seus cidadãos numa operação que durou mais tempo do que quando os grandes E:U:A decidem intevir fora de casa. É obra!

Em Blindness a esperança voltou quando os humanos começaram progressivamente a recuperar da cegueira que os atingira. Talvez o susto tenha feito os humanos aprenderem alguma lição de vida. Quantas vezes só o fazem quando se sentem com as calças na mão?

Até breve

Zina Abreu

Thursday, February 1, 2007

Está na hora! Do sim…

O mundo é como é. Tem muitos aspectos “feios, porcos e maus”. Por isso, quem quiser enquadar o tema da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) nesse contexto, faça o favor.

No referendo que ora se aproxima está em discussão a IVG até às dez semanas. Deverão as mulheres continuar a ser julgadas em praça pública? Este parece ser um argumento já muito estafado mas, na verdade, é disso que se trata.

Quer queiremos quer não a IVG vai continuar a existir, seja ou não despenalizada. Não há erradicação possível para muitos dos comportamentos humanos, mesmo que eles sejam considerados pecados, vícios, manias, crimes, e mesmo que o preço a pagar seja a vida, o repúdio, o exílio, a marginalização, o desprezo, a prisão. É genético. E é cultural.

Além disto, não há unanimidade possível entre os seres humanos. Em caso de gravidez haverá sempre duas atitudes: a aceitação para umas e a rejeição para outras. Não saímos disto e não podemos obrigar ninguém a ser mãe, caso não deseje. A maternidade não se resume ao acto biológico de dar à luz. Como pode cuidar bem de uma criança, anos a fio, quem a não quer? Uma criança não desejada “está muitíssimo mais sujeita à negligência e a abuso que as outras crianças” [1].

Durante séculos e séculos as mulheres viram os seus pais, maridos e irmãos decidirem por elas. Isso ainda acontece noutras culturas. Não será este o tempo de deixar que elas tenham a última palavra sobre o seu corpo, independentemente de se aconselharem primeiro com quem quiserem? Em Espanha é assim, mesmo com uma lei muito semelhante à nossa. Os espanhóis dignificam a mulher, valorizam e respeitam a sua opção. Ela decide a bem da sua saúde mental. Entre os nuestros hermanos as estruturais patriarcais da sociedade têm dado lugar à maior igualdade de género. É por isso que eles já estão a anos luz de nós em matéria de desenvolvimento. De Espanha também podem vir bons ventos e bons casamentos e temos muito a aprender com eles em matéria da regulamentação de assuntos delicados.

É por tudo isto, e a bem do realismo, que votarei sim no próximo referendo à IVG.

Zina Abreu




[1] Levitt & Dubner (2006) Freakonomics. Lisboa: Ed. Presença.