Desconfio que no tempo do Eça de Queirós a coisa não deveria ficar por mais tempo. É obra, não é?
Eça agora!
(Re)apresentação após hibernação: Heresias renasce das cinzas, qual Fenix ... renascida. O que seguirá? Muito. Tudo. Ou nada. Depende de quem ler ou do que se esperar. Se se esperar muito não se obtém nada, se não se esperar nada pode obter-se muito... Zina Abreu
Vem aí o livro “Sarapicos de Natal”! Uma antologia de contos de Natal doce e com travo a canela, para contar à lareira…Editora Papiro.
Com capa da autoria de Manuel Barroca, Sarapicos de Natal conta com a participação dos autores José Amaral, Benedita Stingl, Zina Abreu, Adélia Gamboa, Lena Leote, entre muitos outros…
Contamos consigo!
Apresentação : 13/12/08, às 17h
Centro Comercial Dolce Vita - Porto, zona de descanso piso 3
Filme em ante-estreia - Funchal, 08/11/08
Blindness, ou Ensaio sobre a cegueira, é o novo filme de Fernando Meirelles que adoptou a obra homónima de José Saramago.
De que trata a dita?
Para mim a obra é uma grande metáfora do estado do mundo actual, um mundo desolador que não tem ponta por onde pegar. Então, para que o mundo melhore, deve encerrar para balanço porque só assim é possível começar de novo. Foi isso o que aconteceu durante o filme, quando uma cegueira branca atingiu uma cidade, provocando-lhe o caos.
Como em todo o caos as questões prioritárias que afectam as pessoas e pelas quais elas mais se guerreiam são: comida e sexo. Os humanos querem comida e sexo porque isso faz parte do pacote básico de sobrevivência da espécie e ali não é excepção.
Em certo sentido Blindness faz lembrar o que aconteceu quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleães, em 2005, e quando o cataclismo se instalou através de pilhagens, violações, e outras formas de crime, etc. De tal modo a catástrofe se evidenciou que até a polícia fugiu e abandonou os seus postos porque ou era ela que ganhava (os bons), ou eram os bandos de criminosos. Ganharam estes, pelo menos durante bastante tempo… até que a América acordasse do choque e fosse capaz de socorrer os seus cidadãos numa operação que durou mais tempo do que quando os grandes E:U:A decidem intevir fora de casa. É obra!
Em Blindness a esperança voltou quando os humanos começaram progressivamente a recuperar da cegueira que os atingira. Talvez o susto tenha feito os humanos aprenderem alguma lição de vida. Quantas vezes só o fazem quando se sentem com as calças na mão?
Até breve
Zina AbreuO mundo é como é. Tem muitos aspectos “feios, porcos e maus”. Por isso, quem quiser enquadar o tema da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) nesse contexto, faça o favor.
No referendo que ora se aproxima está em discussão a IVG até às dez semanas. Deverão as mulheres continuar a ser julgadas em praça pública? Este parece ser um argumento já muito estafado mas, na verdade, é disso que se trata.
Quer queiremos quer não a IVG vai continuar a existir, seja ou não despenalizada. Não há erradicação possível para muitos dos comportamentos humanos, mesmo que eles sejam considerados pecados, vícios, manias, crimes, e mesmo que o preço a pagar seja a vida, o repúdio, o exílio, a marginalização, o desprezo, a prisão. É genético. E é cultural.
Além disto, não há unanimidade possível entre os seres humanos. Em caso de gravidez haverá sempre duas atitudes: a aceitação para umas e a rejeição para outras. Não saímos disto e não podemos obrigar ninguém a ser mãe, caso não deseje. A maternidade não se resume ao acto biológico de dar à luz. Como pode cuidar bem de uma criança, anos a fio, quem a não quer? Uma criança não desejada “está muitíssimo mais sujeita à negligência e a abuso que as outras crianças” [1].
Durante séculos e séculos as mulheres viram os seus pais, maridos e irmãos decidirem por elas. Isso ainda acontece noutras culturas. Não será este o tempo de deixar que elas tenham a última palavra sobre o seu corpo, independentemente de se aconselharem primeiro com quem quiserem? Em Espanha é assim, mesmo com uma lei muito semelhante à nossa. Os espanhóis dignificam a mulher, valorizam e respeitam a sua opção. Ela decide a bem da sua saúde mental. Entre os nuestros hermanos as estruturais patriarcais da sociedade têm dado lugar à maior igualdade de género. É por isso que eles já estão a anos luz de nós em matéria de desenvolvimento. De Espanha também podem vir bons ventos e bons casamentos e temos muito a aprender com eles em matéria da regulamentação de assuntos delicados.
É por tudo isto, e a bem do realismo, que votarei sim no próximo referendo à IVG.
Zina Abreu
[1] Levitt & Dubner (2006) Freakonomics. Lisboa: Ed. Presença.